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Em 73 eu estava em Alagados, na Bahia, trabalhando nas favelas. Trabalhando para ajudar. Os planos, que eu levei a Salvador, eram planos tradicionais de um arquiteto que recebe um relatório de um sociólogo, e então começa a fazer layouts de habitação. Não tinha nada a ver com a realidade.

Quando caminhava na favela, admirava a criatividade das pessoas e a falta de medo em fazer as próprias coisas. Havia muitas lojas, salões de beleza, uma escola para bebês e até uma estrutura de torre. Enquanto ninguém os ajudava, eles estavam lidando.

Percebi imediatamente alguns erros estruturais. Algumas casas já estavam inclinadas, sendo mantidas por outra, ou por suspensão improvisada. Então eu pensei, aqui estou eu, tendo o conhecimento, posso ajudar muito simplesmente espalhando-o.

 
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Eu vi um homem cortando madeira com uma serra de brinquedo. Perguntei se ele estava construindo sua casa, e ele respondeu que ele está construindo para todos, e é o construtor das comunidades. Ele quase não tinha ferramentas. Seu filho pequeno, estava puxando as unhas das velhas caixas de compras de madeira para arrumá-las para uso. Então, esses eram seus materiais de construção.

Fiquei com vergonha de mim mesmo. Aqui estava novamente, me chamando de arquiteto e dizendo a essas pessoas como fazer as coisas. Enquanto eu não tinha idéia do que eles realmente precisavam, e quais eram suas dificuldades.. Eles não tinham ajuda do governo. Um engenheiro da cidade só viria e proibia coisas, como quando a fiação não estava bem..

 
 
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